Microdosagem: e se o paradigma actual estiver incompleto? Uma reflexão muito para além da dose
com Gisela Duarte
A investigação sobre microdosagem de psicadélicos tem crescido significativamente na última década. No entanto, apesar do crescente interesse científico, continua a existir uma discrepância entre os benefícios descritos nos estudos observacionais e os resultados obtidos nos ensaios clínicos controlados.
E se parte desta discrepância resultar não da microdosagem em si, mas das perguntas que temos vindo a fazer?
Este webinar propõe uma reflexão crítica sobre a forma como a microdosagem tem sido conceptualizada e investigada. Estaremos a reduzi-la à administração repetida de doses subperceptuais? Será a dose a variável mais importante? E estaremos a avaliar apenas aquilo que é mais fácil medir, privilegiando a redução de sintomas em detrimento de dimensões como a regulação do sistema nervoso, a presença ou a flexibilidade psicológica?
A partir da literatura científica actual, dos últimos estudos e da experiência acumulada nesta área nos últimos anos, serão exploradas diferentes perspectivas sobre a microdosagem, convidando os participantes a questionar alguns dos pressupostos que têm orientado a investigação e a abrir espaço para novas formas de compreender este fenómeno complexo.
Gisela Duarte é psicoterapeuta, facilitadora psicadélica, Mestre em Psicologia pela Universidade do Porto e fundadora do projecto PsicaDelas. Desde 2018 acompanha mulheres em processos de microdosagem e integração psicadélica, articulando a prática clínica com uma leitura crítica da literatura científica e um acompanhamento próximo dos estudos actuais. Possui formação em abordagens somáticas, psicodrama, coaching, e terapia assistida por psicadélicos e desenvolve actualmente um estudo observacional sobre os efeitos das doses subperceptuais na saúde mental, na regulação do sistema nervoso e na qualidade de vida das mulheres. O seu trabalho centra-se na exploração de modelos que permitam compreender a microdosagem para além da dose, integrando factores psicológicos, relacionais e contextuais.