• CARTA ABERTA AOS ÓRGÃOS SOCIAIS DO SPORTING CLUBE DE PORTUGAL

  • Ao Conselho Diretivo do Sporting Clube de Portugal
    À Mesa da Assembleia Geral
    Ao Conselho Fiscal e Disciplinar
    Ao Conselho de Administração da Sporting SAD
    À Comissão Executiva da Sporting SAD
  • Pela Salvaguarda do Modelo das Modalidades doSPORTING CLUBE DE PORTUGAL

  • Dirige-se esta Carta também aos órgãos da Sporting SAD - não por a estes competir, em termos estatutários, a gestão das modalidades, cometida ao Clube, mas pela comunhão de identidade, de marca e de reputação que une o Clube e a Sociedade Desportiva perante sócios, acionistas e toda a comunidade sportinguista.
  • O Sporting Clube de Portugal construiu, ao longo de quase um século, uma identidade singular no panorama desportivo nacional e internacional. Essa identidade não assenta apenas na excelência competitiva ou no prestígio do futebol profissional. Assenta, sobretudo, na convicção de que o Sporting é, por natureza e por vocação, um Clube das modalidades, no qual estas constituem um dos seus pilares estruturantes, um fator distintivo da sua marca e um património humano cuja construção atravessou gerações de atletas, treinadores, dirigentes e colaboradores - é o ADN Sporting Clube de Portugal.
  • Foi este modelo que permitiu ao Sporting afirmar-se como uma das instituições desportivas mais relevantes da Europa. Foi este modelo que consolidou uma cultura de formação reconhecida internacionalmente e que fez das modalidades um espaço privilegiado de transmissão dos valores que sempre caracterizaram o Clube: competência, exigência, lealdade, continuidade, mérito e sentido de pertença - o nosso esforço, devoção, dedicação e glória.
  • É precisamente por reconhecermos esse legado que consideramos ser nosso dever manifestar profunda preocupação perante um conjunto de acontecimentos ocorridos nos últimos anos e que, analisados no seu conjunto, parecem revelar uma alteração significativa do paradigma de governação das modalidades.
  • A presente Carta Aberta não pretende fazer da situação de qualquer profissional em concreto o seu objeto central - ainda que a ela recorra, a título ilustrativo, enquanto sintoma ou expressão de um problema mais amplo - nem questionar a legitimidade das opções de gestão que competem aos órgãos eleitos do Sporting Clube de Portugal. Pretende, isso sim, suscitar uma reflexão institucional sobre a forma como essas opções têm vindo a ser concretizadas e sobre os seus efeitos na identidade, no património humano, na qualidade organizacional e no valor estratégico do modelo das modalidades do Clube.
  • Ao longo dos últimos anos têm-se sucedido decisões que, pela sua natureza, amplitude e coerência entre si, justificam uma avaliação séria e independente. Entre outros aspetos, observa-se o afastamento progressivo de profissionais históricos profundamente identificados com o Sporting, a substituição de conhecimento institucional acumulado durante
  • décadas, alterações significativas nos modelos de funcionamento das modalidades e uma crescente preocupação manifestada por diversos agentes da nossa comunidade, desportiva e social, relativamente à preservação da cultura própria que sempre distinguiu o Sporting.
  • Qualquer que seja a avaliação que cada um possa fazer destas decisões, entendemos que a sua dimensão ultrapassa largamente a esfera da gestão corrente. Está em causa um património institucional cuja importância transcende qualquer mandato diretivo. Os acontecimentos recentemente ocorridos na Ginástica constituem, neste contexto, um ponto de especial preocupação.
  • A título ilustrativo, e independentemente da avaliação profissional que possa existir relativamente às funções desempenhadas pelo Professor Luís Duarte, a forma como decorreu o processo que culminou com a sua despromoção pública suscitou forte inquietação entre atletas, treinadores, colaboradores e inúmeros Sportinguistas. Mais do que uma questão individual, o episódio tornou-se, para muitos, o símbolo de uma cultura organizacional que importa discutir e compreender.
  • À luz do atual contexto, impõe-se determinar se o conjunto de decisões adotadas nos últimos anos configura uma mudança estrutural do modelo de gestão das modalidades e, em caso afirmativo, se essa mudança corresponde ao interesse estratégico do Sporting Clube de Portugal e à preservação daquilo que constitui uma das suas maiores vantagens competitivas: o seu modelo de gestão e promoção das modalidades e a sua cultura e valores desportivos.
  • Consideramos igualmente indispensável avaliar se o modelo de profissionalização apresentado como fundamento para muitas destas decisões produziu, até ao momento, os resultados desportivos, económicos e organizacionais que justificariam uma alteração tão profunda da cultura institucional do Clube. Essa avaliação deve ser realizada de forma transparente, baseada em indicadores objetivos e sujeita ao escrutínio dos órgãos sociais e dos sócios.
  • Acreditamos que esta discussão não pode permanecer circunscrita a um número restrito de decisores. Pela relevância das matérias em causa, entendemos que todos os órgãos sociais do Sporting Clube de Portugal devem conhecer os factos, refletir sobre as suas implicações e contribuir para um debate institucional sereno, informado e orientado exclusivamente pelo interesse permanente do Sporting.
  • Nesse sentido, apelamos a que esta Carta seja apreciada por todos os destinatários, que promova uma reflexão transversal sobre o futuro das modalidades e que constitua o ponto de partida para uma discussão mais ampla, eventualmente em sede de Assembleia Geral, sobre a estratégia adotada para um dos pilares fundamentais da identidade leonina.
  • Não nos move qualquer interesse pessoal, qualquer disputa individual ou qualquer intenção de condicionar a autonomia dos órgãos legitimamente eleitos.
  • Move-nos apenas a convicção de que o Sporting Clube de Portugal merece que decisões suscetíveis de afetar a sua identidade histórica, o seu património humano e a sustentabilidade do seu modelo das modalidades sejam objeto do mais elevado nível de discussão e escrutínio institucional.
  • Nesse sentido, solicitamos formalmente que o Conselho Diretivo apresente aos órgãos sociais e aos sócios um relatório de avaliação sobre os resultados desportivos, económicos e organizacionais do atual modelo de profissionalização das modalidades, bem como os projetos que, neste âmbito, a Direção pretende ver futuramente implementados e justificam as mudanças que se vêm verificando no plano dos recursos humanos, e que estes elementos documentais sejam tornados públicos, bem como que este assunto seja expressamente agendado para discussão em sede de Assembleia Geral. Porque o Sporting pertence aos seus sócios. Porque as modalidades pertencem à história do Sporting. E porque preservar essa história é uma responsabilidade coletiva.
  • ou
  • 3
  •  
  • Should be Empty: